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Como o respeito ao ciclo básico de vida de um projeto pode ser impactante nos resultados finais de projetos culturais

Por Flávia Vianna
Editoria Solanda Steckelberg

Diante um cenário complexo para gestores culturais e artistas, onde a reafirmação de sua credibilidade e comprometimento com a democratização estão diariamente sendo colocados em xeque, torna-se importante e essencial a discussão sobre a importância do planejamento no desenvolvimento de projetos, para que sua execução tenha papel transformador e seja possível alcançar com êxito tudo o que se propõe, produzindo impactos positivos que fazem a diferença onde serão desenvolvidos.

Para tanto, é indicado iniciar um propósito pela conceituação do que seria um projeto. Segundo uma das maiores associações para profissionais de gerenciamento de projetos, o Instituto de Gerenciamento de Projetos (Project Management Institute PMI) projeto é o “esforço temporário empreendido na criação de um produto, serviço ou resultado único. E sua natureza temporária indica que ele tem inicio e término bem definidos e que o término é atingido quando seus objetivos são alcançados ou quando o projeto é encerrado”.

Entendido o conceito e ainda alinhado as orientações do PMI, o projeto deve necessariamente cumprir um ciclo básico de desenvolvimento, que se divide em quatro fases:

– Iniciar o projeto;

– Organizar e preparar;

– Executar o trabalho, e;

– Encerrar o projeto.

Ao visualizarmos as etapas básicas, a primeira impressão nos leva a pensar que é óbvio e intuitiva a condução deste processo, e que qualquer pessoa com o conhecimento mínimo em projetos executa as etapas sugeridas. Entretanto, ao sub julgar este ciclo, muitas vezes cometemos o mais comum dos erros, não aplicar o tempo adequado para o planejamento de cada fase do ciclo, e não contratar pessoas especializadas, que poderão compor uma equipe alinhada à gestão dos processos. Assim, surgem vários projetos com pouca pesquisa, quase nenhuma análise crítica, e sem alinhamento à realidade de onde está sendo desenvolvido, servindo apenas para alimentar egos e causar grandes frustações durante e depois de sua execução.

Os ciclos descritos pelo PMI, possuem natureza genérica e podem ser aplicados na construção civil, área social, da saúde, educação, turismo, e inclusive na área cultural. E independe da dimensão trabalhada, sendo indicado para projetos com prazos variados.

A criação de projetos artísticos e sociais estão normalmente associados a ações multidisciplinares, que envolvem profissionais dos mais diversos tipos e habilidades, o que torna imprescindível o trabalho de forma estratégica e orientado para os resultados esperados desde o início de seu ciclo de vida.

Um empreendedor cultural que se propõe ao acompanhamento responsável do ciclo completo de um projeto, certamente terá maior êxito e se resguardará de qualquer mensuração equivocada ou questionamentos que venham a ocorrer após a finalização de sua execução.

Sendo assim, ao realizar o exercício de trazer os conceitos de ciclo do Project Management Institute (PMI), para a realidade dos projetos culturais, de forma simplificada podemos entender que:

INICIAR O PROJETO: seria o primeiro passo, a elaboração do projeto. A base para determinar o escopo do projeto, editais possíveis de participação, e recursos e ações prioritárias, pois é o momento da definição de questões fundamentais para a realização do plano proposto. Inclui pesquisar, determinar o real problema a ser resolvido, descobrir o que motiva a construção da proposta, ou seja, entender os sintomas e buscar as causas que estão por trás da necessidade de criação da solução. Identificar as pessoas impactadas, envolvidas e beneficiadas, e a partir daí coletar, interpretar e consolidar informações. Detalhar serviços, funções e cotar para a criação de planilhas orçamentárias reais. Assim, entende-se que será possível equilibrar o tempo, custo e qualidade do projeto.

Nesta fase inicial, pode-se considerar também o processo de aprovação em editais e processo de captação de recursos.

ORGANIZAR E PREPARAR: segundo passo do projeto, hora de adequar à realidade de captação ao escopo principal proposto, que resultará muitas vezes em readequação de metas e planilha do projeto. É momento de montar equipe, mobilizar pessoas, nivelar informações, buscar parcerias, rever e definir etapas de trabalho, discriminar orçamentos e criar ferramentas de acompanhamento do projeto, que inclui os gastos e alcance de metas. O gestor nesta fase é um dos grandes responsáveis pelo sucesso ou fracasso das demais etapas. Seu papel deverá ser de orientar e encorajar os envolvidos a levantar todos os pontos críticos que poderão levar a falhas durante a execução, além de criar um mapeamento dos pontos de atenção, para atuação e correção se necessário, para que as entregas ao final da execução não sejam comprometidas.

EXECUTAR O TRABALHO: a fase de execução do trabalho contempla, essencialmente colocar o planejado em ação monitorando o progresso real do projeto e comparando ao planejado, tanto em termos de metas, quanto de orçamento. Nesta etapa podem surgir solicitações de mudança de rumos e incrementos ao escopo, assim estar atento e tomar decisões para tais demandas são funções fundamentais do gestor para obter êxito nesta fase do projeto.

São sugeridas reuniões frequentes com a equipe, para que seja reportada qualquer ação que esteja interferindo para o mau andamento do projeto, e/ou tenha ajudado no sucesso do alcance das metas pactuadas.

Esta etapa é imprescindível para o registro das metas alcançadas, produção e organização de documentação que comprove sua execução, inclusive no que diz respeito aos gastos financeiros, pois não basta fazer o bem, fazer o correto, é necessário provar o que se fez.

ENCERRAR O PROJETO: O objetivo desta fase é comprovação da entrega do produto final à sociedade, consolidação da documentação do projeto, desmobilização da equipe de trabalho, encerramento dos contratos e pagamentos aos fornecedores. É o momento propício para uma “auditoria” de todo o processo, dentro dos padrões exigidos pelos instrumentos reguladores (Instruções Normativas, Manuais de Prestação de Contas e Editais).

Além disso, este é o momento da análise da performance do projeto, onde o gestor deverá avaliar junto à equipe o que correu bem e o que poderia ser melhorado, para a produção de relatórios de acompanhamentos tanto financeiro como de cumprimento de objetivos.

A última etapa desta fase para projetos culturais, seria a elaboração da documentação de prestação de contas, onde são apresentadas todas as informações fiscais dos gastos, extratos bancários, relatórios de acompanhamento, documentos fotográficos e videográficos, bem como todo o material produzido para divulgação, clipping de matérias jornalísticas, entre outros. Servirá como base para o aprimoramento contínuo, bem como para a comprovação da perfeita utilização dos recursos aplicados para o desenvolvimento do projeto.

CONCLUSÃO: o ciclo básico de vida de um projeto, poderá apoiar os gestores no desenvolvimento organizado das ações, permitindo o controle eficaz sobre as entregas previstas, mas principalmente facilitando que as expectativas de todos os envolvidos direta e indiretamente (órgãos públicos, beneficiários, fornecedores e o próprio proponente) sejam atendidas, e os impactos positivos sociais e culturais sejam alcançados com sucesso e boa repercussão.

REFERÊNCIA: PMI. Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos. Guia PMBOK® 5ª. Ed. – EUA: Project Management Institute, 2013

Flávia Vianna
Gestora cultural atuante há 15 anos, sua trajetória inclui ampla experiência no setor público e privado. Formada em Turismo, possui cursos de Planejamento e Gestão Estratégica; Gestão por Resultados e Gestão e Desenvolvimento Cultural.

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