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Pele de Livros

Por Maurilo Andreas
geniocrime_jcms0A memória enfeita o prazer e enfeia a dor, o que pode indicar algum exagero quando digo que eu era absolutamente louco pelo livro O Gênio do Crime, quando era criança.
Li três vezes, apresentei para a minha filha e tenho dele grandes lembranças e até algumas simpatias inexplicáveis. Por exemplo, o futebolista Pedro Rocha, que eu nunca vi jogar, é um dos meus atletas favoritos simplesmente por suas menções no livro.
Não é raro me pegar misturando casos, dados ou características de personagens do Gênio do Crime com fatos da minha infância.
Isso porque os livros que a gente ama passam a fazer parte da gente, a mexer com nosso presente, interferir em nosso futuro e até mesmo embolar nosso passado. A pele que usamos para sempre é feita do couro de mil capas de livros.
Daí a importância da literatura para crianças: semear novos sonhos, estimular outras buscas, oferecer exemplos a serem seguidos ou evitados sem a chatice de uma palestra morna e sem personalidade.
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Eu quis e tive um bodoque como Pedrinho (mesmo sem coragem de matar passarinho). Fui náufrago no meu quintal, de sobrenome Crusoé. Enfrentei a Hidra de Lerna entre um para-casa e outro. Invoquei a Turma do gordo a cada figurinha difícil nos álbuns que colecionei.
Sou quem eu sou (também) porque li o que li.
E mudo ainda a cada dia, a cada página, escrevendo novas linhas como se fosse eu mesmo um personagem das histórias que eu amo.

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